Níveis de Consciência

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Níveis de Consciência

Sistema de Castas

Os Quatro Discursos e o Empreendedorismo Cívico

Segundo o filósofo Olavo de Carvalho, em qualquer sociedade existe quatro castas, das quais a primeira se incumbe do guia espiritual, moral e intelectual, a segunda do poder político e militar, a terceira da organização da atividade econômica, a quarta dos trabalhos auxiliares e operacionais. O filósofo abrange o sobre tema “castas”, enfocando a diferença do conceito de classe, que é estritamente econômico, abrangendo um conjunto de dimensões que juntas, influenciam à ação humana. O conceito de casta, sendo complexo e amplo, que pode assim, aplicar a qualquer agrupamento humano, até mesmo às próprias classes econômicas. No sentido que lhe dá Olavo de Carvalho, cada casta reflete uma determinada visão do mundo, uma determinada escala de valores que distingue os homens, a despeito de sua raça, sexo, posição social ou econômica. Sendo que há quatro esferas de ação humana, logo apenas quatro castas.


Seguindo o raciocínio, temos:

A primeira casta lida com a esfera da inteligência (símbolos, ideias e crenças) e é habitada por todos aqueles incumbidos do guiamento espiritual, moral e intelectual; A segunda casta lida com a esfera de vontade (mando e obediência) é habitada por todos os que possuem poder político ou militar; A terceira casta lida com a esfera do desejo e de necessidade e é habitada por todos aqueles ligados à organização da produção.

A quarta casta lida com a esfera do hábito (ou da ação sobre a matéria) e é habitada por todos os ligados a trabalhos auxiliares e operacionais.


Níveis de Consciência

A chave do enigma está no que coloco abaixo como nível de consciência.

Se aceitarmos a possibilidade de uma análise vertical de castas para qualquer agrupamento humano, deve ser possível fazer para o conjunto dos chamados empreendedores cívicos, mesmo porque a expressão “empreendedores” é muito genérica para poder significar em si, alguma coisa mais, além da conotação de conceito empresarial. Comecemos de baixo para cima: haverá, no grupo social dos empreendedores, indivíduos de quarto grupo ou casta, voltados para a atividade sobre a matéria ou, em outras palavras, indivíduos que atribuem a outrem as decisões que irão influenciar a sua própria vida. Por mais paradoxal que pareça, por mais que haja choque com o sentido popular da palavra empreendedor, temos que admitir que a esta casta pertence todos os empreendedores que se vê no mundo dos negócios como apenas uma engrenagem de uma grande máquina que passa a transcender e ser subordinado. Vistos deste modo, muitos franqueados, por exemplo, são na verdade “gerentes” de um negócio que tem abrangências, de cujo sistema, eles não fazem parte. Mas na realidade em se tratando no exemplo do sistema de franquias, poderá haver sim, resultados muito diferentes, dependendo a castas opostas de seus proprietários.

Daí há diferença entre eles: há franqueados de primeira, segunda, terceira e quarta castas. No entanto, quando a maioria das pessoas pensam em empreendedorismo, não pensa na quarta casta, mas parece estar falando, na verdade, de empreendedores de terceira casta: os indivíduos que não aceitam que outra pessoa escreva o roteiro de sua vida e produzem ações de organização econômica voltadas para a satisfação dos seus próprios desejos e necessidades. É justamente este grupo de casta que é louvada e desejada como “contingenciamento social” renovador da vitalidade econômica. Para este tipo de empreendedor (na verdade ele não é o único), há todo tipo de apoio institucional, desde ensinar rudimentos no ensino fundamental, até cursos superiores e ações governamentais de porte. No entanto, sem desmerecê-lo – porque todas as castas têm valor – segundo o pano de fundo do raciocínio, esta pessoa é apenas um tripulante de terceira casta e nada mais. Muito peculiar é o destino desta terceira casta quando ela se consolida socialmente: os empresários tornam-se um grupo especialmente submisso também com o poder político, temendo pelo status da carreira.

Isto significa que existem os demais “empreendedores” há aqueles que ultrapassam os limites do próprio desejo e necessidades, para se referirem a um grupo maior de interesses, muito embora ainda no mundo dos negócios. Esta casta, a segunda, exerce o comando político do grupo, sendo que segundo Olavo de Carvalho, sempre tem o poder simultâneo de destruir e impedir. Esta casta governante assume as posições de controle dos organismos representativos empresariais, como sindicatos patronais, federações, associações comerciais e é caracterizada por transpor a referência pessoal, típica dos empreendedores de segunda casta e representar um grupo maior, mesmo que claramente em oposto a outros grupos sociais com interesses que conflita uma diferença. Deste modo, um líder político empresarial como Mário Amato pode estar em franca oposição a um líder político trabalhista como Lula, sem que ambos percam sua posição de casta governante nas respectivas classes. A condição de ambos não se estabelece por concordarem, mas justamente por discordarem.

Por força do caminho dialético que tomamos, há de haver entre os empreendedores uma casta intelectual, religiosa, habitada por todos aqueles encarregados do guiamento espiritual da comunidade de empreendedores. Estes indivíduos, por estarem na casta mais alta, não implica na desvalorização das demais, transcendem necessariamente as fronteiras do próprio grupo. Quanto mais acima, mais pragmático, mais integrador. Estas pessoas dão sentido existencial à atividade das demais castas, logo são fundamentalmente integradoras, empreendendo com as outras dimensões humanas. Estas pessoas são chamadas de “empreendedores cívicos”, faz parte da primeira casta de que diz Olavo de Carvalho “São as pessoas que dispõem concretamente dos meios para moldar ou influenciar, por sua atuação pessoal, as ideias e sentimentos de coletividade”. Estes empreendedores não dirigem uma comunidade empresarial. Eles escrevem o roteiro do “poder político” exercidos pelos chamados ”empreendedores” da segunda, ou da organização econômica exercida pela terceira e das ações concretas da quarta, inserindo todo o grupo no sistema da humanidade, por meio de interações com as outras dimensões da vida. Como para cima tudo se converge, podem ser empreendedores cívicos, as pessoas de quase toda atividade. Embora o termo “empreendedorismo cívico” tenha mais afinidade de terminologia com os empreendedorismos das demais castas, nada impede que se o generalize no âmbito das substâncias e não das formas. Quando mais próximos as castas dos níveis abaixo, mais prisioneiros seremos da forma; quanto mais próximos das castas mais altas, mais sintonizados com a substância.

Na realidade, o sistema de castas, no sentido mais complexo, abrange a conscientização, no sentido do pensamento mais parentético do “Empreendedor Cívico”: Tem certamente um grupo ou casta que acredita na possibilidade de uma transformação social iminente, observam a natureza humana; o que fazem é acreditar no próprio processo de transformação, tendo experimentado uma modificação positiva em suas vidas, admitindo que os outros possam mudar, que possam descobrir as capacidades em si mesmas.


Grupo 4 - Servil

Servil - Que abdica do poder em função dos demais níveis, grupos ou castas.

Tem o discurso predominantemente Poético - Por essência, versa sobre o possível, dirige à imaginação gerando uma impressão e permite o interlocutor construir uma "fantasia. Conservador - Não gosta de mudanças e inovações, valorizando as tradições. Trabalha muito, e é bastante dedicado à familia.


Grupo 3 - Integrador

Intermediário - Que organiza a produção.

Tem o discurso predominantemente Retórico - Por essência, lida com o verossímil, dirige-se a vontade dos ouvintes, exorta-o a tomar uma decisão. Empreendedor - Destaca-se das outras pessoas por seu empreendedorismo mais arrojado e atitudes incomuns, sendo criativo e inovador.


Grupo 2 - Guerreira e burocrática

Guerreira e Burocrática - Que comanda e tem poder de coerção sobre dos outros.

Tem o discurso predominantemente Dialético - Por essência, trata do provável, dirige ao julgamento, incentivando a pesar os prós e os contras antes de tomar decisão. Diplomático, as vezes manipulador fazendo objeções - Através da conquista do poder legal, influenciando através da convicção de proteção. Convence através de argumentos racionais.


Grupo 1 - Sacerdotal

Sacerdotal - Que tem a incumbência de guiar espiritual, filosófica ou intelectualmente os outros.

Tem o discurso predominantemente Lógico - Por essência, trata do verdadeiro, do perfeitamente demonstrado como certo. Consciencioso, amante da justiça, íntegro e dotado de bom senso com espírito missionário. Quando empreendedor, utiliza de um marketing mais pragmático possível. Geralmente possui com postura mais ambientalista e assistencialista.


Considerações Finais

Em suma, nos diversos ensinamentos, percebe-se que o tema supracitado é abordado de forma diferente, sendo com o mesmo sentido mas com observância na ordem: "sabedoria, força, ciência e destreza". No próprio ensinamento do Cristianismo, a Parábola do Semeador, que coloca o tema da mesma forma, comparando a consciência aos tipos de solos. Também se vê no pensamento da filosofia do Hinduísmo, "as quatro castas". Percebe-se uma suposta simbologia até na própria estrutura física do ser humano, que funciona até como um mapa mental: as pernas que sustenta todo o corpo, o tronco que intermedia favorecendo ambas as partes. Os braços, no sentido de força e defesa. A cabeça no sentido de guiar o todo. Cada parte tem sua função de influenciar os níveis subsequentes do sistema como se fosse um organograma.

Neste aspecto, seria interessante na próxima vez em que depararmos com a expressão "empreendedorismo cívico", bom é se questionar em qual das quatro castas nosso interlocutor está se referindo. Afinal perceber a diferença entre as quatro castas pode não ser tudo, mas com certeza fica melhor o entendimento.